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Nenúfar

"Todos elogiam o sonho, que é o descansar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos"

Nenúfar

"Todos elogiam o sonho, que é o descansar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos"

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13.10.20, Nenúfar

 

Cada um de nós tem as suas memórias. As memórias são o que fica quando o tempo já foi. O tempo nunca vai sozinho quando vai embora. Leva sempre algo com ele: momentos, coisas, pessoas. Só deixa ficar as memórias. Nenhuma memória substitui o que vivemos, mas é a única forma de recuperar o que perdemos. Ao que perdemos, acrescentamos a distância com que olhamos para as coisas, para nós. É curioso. Se a distância faz com que seja mais difícil a visão – quando mais longe, menor é a nitidez – também é a distância que nos permite vermos coisas que, no momento em que aconteceram, não pudemos ver.
Na aldeia dos meus avós, havia – e há – uma rua muito íngreme que eu adorava descer de bicicleta. É fácil perceber porquê. Agora, quando recordo esses momentos, não vejo só o que o meu campo de visão me permitia ver enquanto descia: a rua e as casas em frente, as minhas mãos no guiador; vejo-me a descer a rua, vejo os meus cabelos ao vento, vejo a blusa enfunada pela velocidade e as minhas costas à mostra. A memória é o realizador deste filme que protagonizei quando era criança e que lhe acrescenta os efeitos especiais que só acontecem por força do que não aconteceu.
 
lado.a.lado

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